Em entrevista ao podcast Pelas Pistas, realizada pela Estrella Galicia 0,0, piloto da Williams também fala sobre os bastidores da Fórmula 1, a influência da família e sua relação com a marca. Episódio completo vai ao ar nesta sexta-feira (6), às 21h
Acostumado a enfrentar velocidades extremas e os desafios da Fórmula 1, Carlos Sainz revelou que uma das experiências mais assustadoras que viveu dentro de um carro aconteceu longe dos circuitos da categoria, ao lado do próprio pai, o bicampeão mundial de rali e tetracampeão do Dakar, Carlos Sainz Sr. A história foi compartilhada pelo piloto da Atlassian Williams F1 Team durante uma entrevista ao podcast Pelas Pistas, realizada pela Estrella Galicia 0,0, patrocinadora do espanhol desde 2013.
Durante a conversa, Sainz relembrou a oportunidade de acompanhar o pai em um teste com um carro de rali preparado para o Dakar. Mesmo com toda a experiência acumulada na Fórmula 1, o espanhol admitiu ter ficado impressionado com a velocidade e a maneira como o veículo enfrentava as irregularidades do terreno.
“Saí do carro suando, extremamente estressado. Diria até assustado. Foi uma das primeiras vezes que alguém me assustou dentro de um carro”, contou o piloto.
Segundo Sainz, a experiência durou cerca de 10 a 15 minutos, tempo suficiente para compreender a exigência enfrentada pelo pai em competições que podem envolver horas de pilotagem em terrenos desconhecidos. Ao questionar como ele conseguia manter aquele ritmo, ouviu uma resposta bem-humorada.
“Ele me disse: ‘Você consegue imaginar como eu era louco quando tinha 20 anos? Se faço isso aos 64, imagine o que fazia aos 20’”, relembrou.
A influência do pai e a escolha pela Fórmula 1
Apesar de ter crescido em uma família profundamente ligada ao rali, Carlos Sainz contou que sua paixão pela Fórmula 1 começou ainda na infância, acompanhando pela televisão as disputas entre Michael Schumacher, Fernando Alonso e Kimi Räikkönen.
O espanhol relembrou que costumava acordar o pai de madrugada para assistir às corridas e que uma visita ao Grande Prêmio da Espanha, em Barcelona, em 2006, foi decisiva para sua escolha profissional.
“Voltei daquele fim de semana dizendo ao meu pai que queria ser piloto de Fórmula 1. Foi quando comecei no kart”, afirmou.
Embora tenha experimentado carros de rali durante a adolescência e reconheça ter desenvolvido certa facilidade para a modalidade, Sainz explicou que já estava determinado a seguir o caminho dos monopostos.
A influência paterna, entretanto, permaneceu presente em sua formação, especialmente na maneira como passou a compreender os aspectos técnicos dos veículos e a trabalhar com engenheiros.
“Meu pai me ensinou que a receita para o sucesso era prestar atenção aos detalhes, trabalhar mais do que qualquer outra pessoa e controlar aquilo que está ao seu alcance”, destacou.
A conversa também revelou outra conexão familiar, desta vez com a Estrella Galicia 0,0, que acompanha a carreira do piloto desde as categorias de formação. Sainz contou que descobriu, durante um almoço de família, que seu avô havia participado da construção de uma das primeiras instalações industriais da cervejaria em A Coruña, na Espanha.
A descoberta motivou uma visita à fábrica, reunindo três gerações da família: o piloto, seu pai e seu avô, que tinha cerca de 90 anos na época.
“Foi um momento muito emocionante poder levá-lo até lá, junto com meu pai. Agora, toda vez que vou a A Coruña visitar a Estrella Galicia, penso muito no meu avô”, relembrou.
A história tornou ainda mais especial a relação com a cervejaria espanhola, que patrocina Sainz desde 2013 e também é cerveja oficial da Atlassian Williams F1 Team.
“É um dos patrocinadores ou parceiros mais leais, se não o mais leal, que tive na minha carreira”, afirmou o piloto.
Bastidores da Ferrari e diferenças entre as equipes
Outro tema abordado na entrevista foi a experiência de Sainz em diferentes equipes da Fórmula 1. Com passagens por Toro Rosso, Renault, McLaren e Ferrari antes de chegar à Williams, o espanhol comentou as particularidades culturais que encontrou ao longo da carreira.
Para ele, embora as equipes compartilhem metodologias de trabalho semelhantes, a Ferrari possui uma relação especialmente intensa com os resultados e com a própria história.
“Na Ferrari, é mais uma paixão do que um trabalho. Você percebe que existe uma responsabilidade muito grande com Maranello, com as famílias e com a Itália”, explicou.
Sainz também comentou as mudanças técnicas dos carros da Fórmula 1 e a importância da comunicação entre pilotos e engenheiros. Segundo ele, compreender os dados e identificar o comportamento do veículo são fatores fundamentais para contribuir com o desenvolvimento da equipe, sem deixar de confiar no conhecimento dos profissionais responsáveis pelos ajustes.
“Consigo apontar nos dados o que estou sentindo e dizer o que está me incomodando. Depois, peço aos engenheiros que apresentem opções para melhorar aquilo. Eu participo e dou uma direção, mas não fico obcecado com qual pode ser a solução”, explicou.
O episódio completo do podcast Pelas Pistas, com Carlos Sainz, será disponibilizado nesta sexta-feira (6), às 21h.

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